Muitas pessoas acreditam que, após décadas de consumo de álcool, é tarde demais para mudar de hábito. No entanto, a trajetória da britânica Janet Gourant mostra que a maturidade pode ser o momento ideal para reconquistar a saúde. Hoje, aos 70 anos, ela celebra quase uma década de sobriedade, após decidir parar de beber aos 63 anos. Janet, que se considerava uma “alcoólatra funcional” por conciliar o vício com o trabalho e a família, resolveu mudar de vida após episódios graves de perda de memória e o diagnóstico de um câncer de mama aos 50 anos — doença cujo risco é significativamente ampliado pelo álcool.
Ao perceber a escassez de redes de apoio locais na África do Sul, onde reside, Janet buscou ajuda na Inglaterra e fundou o projeto Tribe Sober. A iniciativa ajuda outras pessoas a abandonarem o vício por meio do acolhimento mútuo. Segundo ela, o segredo do sucesso está em evitar armadilhas mentais comuns e adotar estratégias práticas no cotidiano.
Como vencer a dependência na maturidade
O principal obstáculo para quem deseja parar, segundo Janet, é a ilusão de que é possível consumir bebidas alcoólicas de forma moderada. Para quem já desenvolveu dependência, tentar controlar as doses costuma falhar. Outro erro frequente é esperar chegar ao “fundo do poço” para tomar uma atitude. O alcoolismo nem sempre se manifesta com a perda total de bens ou moradia; ele pode estar disfarçado na rotina de quem trabalha e mantém uma vida social ativa.
Para obter sucesso na transição para uma vida sem álcool, a especialista recomenda focar no progresso diário, celebrando pequenas vitórias como uma semana ou um mês de abstinência. Também é fundamental reconfigurar a rotina: buscar novos passatempos, frequentar ambientes que não girem em torno da bebida e conectar-se com grupos de apoio. Estima-se que cerca de 20% dos bebedores sociais desenvolvam dependência ao longo do tempo.
Por fim, Janet destaca que os benefícios físicos surgem rapidamente, incluindo a melhora na qualidade do sono, mais disposição no dia a dia e uma aparência mais saudável. O processo exige determinação para ignorar a pressão social e o marketing que associa o álcool ao lazer, mas os resultados trazem de volta a autonomia e a vitalidade.
Fonte: G1.