Vírus Mayaro: Unicamp alerta para transmissão urbana

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Unicamp trouxe um importante alerta para a saúde pública brasileira: o vírus Mayaro, considerado um “primo” da chikungunya, pode estar sendo transmitido em áreas urbanas. A pesquisa confirmou a circulação do vírus em humanos no estado de Roraima.

O que mais preocupa os cientistas é que muitos dos pacientes infectados relataram não ter frequentado áreas de mata. Isso levanta a forte suspeita de que a transmissão esteja ocorrendo dentro das cidades, possivelmente facilitada pelo mosquito Aedes aegypti, o conhecido vetor da dengue.

Originalmente, o Mayaro é transmitido pelo mosquito silvestre Haemagogus, o mesmo que dissemina a febre amarela nas florestas. No entanto, testes de laboratório já comprovaram que o Aedes também tem capacidade de carregar e espalhar o vírus. Se essa transmissão urbana se consolidar, o impacto na saúde pública pode ser preocupante.

Sintomas parecidos com os da chikungunya

O vírus Mayaro causa sintomas muito semelhantes aos da chikungunya, como febre alta, dor de cabeça e dores intensas nas articulações e nos músculos. Essas dores podem ser incapacitantes e durar vários meses, prejudicando muito a qualidade de vida e a mobilidade no dia a dia.

Em casos mais raros e graves, o vírus pode evoluir para complicações neurológicas e hemorrágicas. Atualmente, não existe vacina ou tratamento específico para a doença; os médicos realizam o controle dos sintomas com analgésicos e repouso.

Além do Mayaro, o estudo da Unicamp acendeu outro sinal vermelho para a ciência. Das centenas de amostras de sangue analisadas de pacientes com febre, 60% deram negativo para os oito vírus mais comuns testados. Isso indica fortemente que outros vírus ainda desconhecidos estão circulando na população.

Segundo os especialistas, o desmatamento, o garimpo ilegal e o avanço humano sobre a floresta facilitam o contato com novos patógenos. O Brasil, por sua imensa biodiversidade, é considerado uma “zona quente” para o surgimento de novas doenças. Por isso, os cientistas reforçam a importância de investir em pesquisa e monitoramento constante.

Fonte: Agência Brasil.

Matéria original na Agência Brasil

You may also like these

No Related Post