Uma comunidade global de militantes que buscam prolongar a vida humana de forma drástica está planejando um passo ousado: fundar um Estado independente. O objetivo desse grupo é criar um território livre de burocracias e regras governamentais para testar terapias experimentais e técnicas de biohacking — a modificação da biologia humana para aumentar a produtividade e a longevidade.
Recentemente, cerca de 780 entusiastas dessa causa se reuniram por dois meses em Tivat, uma cidade litorânea em Montenegro, às margens do Mar Adriático. O acampamento temporário recebeu o nome de Zuzalu, uma palavra sem significado gerada por inteligência artificial. Durante a estadia, a rotina dos participantes unia debates científicos a hábitos saudáveis, como meditação, refeições coletivas e banhos em águas geladas.
A busca por um refúgio sem leis de saúde restritivas
Os defensores da longevidade extrema discordam frontalmente da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não classifica a velhice como uma patologia. Para os ativistas, o envelhecimento é uma doença que pode e deve ser curada. No entanto, eles alegam que as agências reguladoras tradicionais, como a Anvisa no Brasil ou a FDA nos Estados Unidos, atrasam o desenvolvimento de novos medicamentos com exigências rigorosas de testes clínicos.
A meta do grupo é estabelecer uma cidade-estado autônoma que ofereça incentivos fiscais para empresas de biotecnologia e permita que os próprios cidadãos escolham quais riscos desejam correr ao testar substâncias inéditas. Max Unfried, pesquisador da Universidade de Singapura, explicou que o movimento busca reconhecimento diplomático internacional para viabilizar o projeto. Já Nathan Cheng, coordenador da organização Longevity Biotech Fellowship, defende que a mortalidade é um problema moral que exige ação imediata.
Para transformar o plano em realidade, os organizadores negociaram com líderes políticos de Montenegro, mas também avaliam locais em Rhode Island, nos Estados Unidos, uma região forte em biotecnologia. Devido às restrições das leis federais americanas, países da América Latina também entraram no radar dos ativistas como possíveis sedes para essa nova nação focada na juventude eterna.
Fonte: G1.