Como o racismo estrutural prejudica a saúde na velhice

Idoso negro sorrindo de forma serena enquanto conversa com um profissional de saúde em um consultório médico bem iluminado.

A desigualdade social e o racismo estrutural têm um impacto direto e cruel na qualidade de vida e na longevidade da população negra. Muito além de questões genéticas, fatores socioeconômicos — conhecidos como determinantes sociais da saúde — são os verdadeiros responsáveis por abreviar vidas e dificultar o envelhecimento saudável.

Um estudo da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, coordenado pelo epidemiologista Josh Bundy, revelou que cidadãos negros americanos apresentam um risco 59% maior de morrer prematuramente em comparação com os brancos. No entanto, a pesquisa trouxe uma descoberta fundamental: ao isolar e corrigir disparidades em oito áreas críticas (como renda, moradia, escolaridade, alimentação e acesso a convênios médicos), a diferença na mortalidade simplesmente sumiu. Segundo Bundy, a exclusão dessas barreiras sociais zera a desigualdade na expectativa de vida. Ter apenas um desses problemas sociais dobra a chance de morte precoce; acumular seis ou mais eleva esse risco em oito vezes.

As marcas da desigualdade no Brasil e no mundo

Essa realidade também se reflete de forma severa no Brasil. Uma pesquisa de 2021 realizada por Roudom Ferreira Moura, doutor em epidemiologia pela USP, apontou que idosos negros na cidade de São Paulo enfrentam piores condições financeiras, menor escolaridade, maior incidência de pressão alta e menor acesso à saúde privada do que os brancos. Esse cenário faz com que 47,2% dos pretos e 45,5% dos pardos avaliem sua própria saúde como regular, ruim ou péssima, contra 33% dos brancos.

Nos Estados Unidos, dados levantados pela Associated Press em 2022 mostram que o racismo afeta a saúde desde o nascimento: 14,8% dos bebês negros nasceram prematuros em 2021. Na maturidade, os reflexos continuam. Cerca de 75% dos negros americanos correm o risco de desenvolver hipertensão até os 55 anos. Além disso, o estresse acumulado pelo preconceito eleva os casos de Alzheimer, que atinge 14% dos negros acima de 65 anos, frente a 10% dos brancos.

Esse abismo no atendimento tem raízes históricas profundas. No século XIX, o médico James Sims realizava cirurgias ginecológicas dolorosas em mulheres escravizadas sem anestesia, sob a falsa premissa de que negros seriam mais resistentes à dor — um mito que, infelizmente, ainda influencia o atendimento médico atual.

Fonte: G1.

Matéria original na Agência Brasil

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