Tecnologia e luto: Sirius abre as portas em Campinas

Interior de um laboratório de alta tecnologia com equipamentos científicos modernos e tubulações metálicas.

No último sábado, dia 17 de junho, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas, no interior de São Paulo, realizou o evento “Ciência Aberta”. A iniciativa permitiu que o público em geral conhecesse de perto as instalações de um dos principais polos de desenvolvimento científico do país, aproximando a comunidade dos pesquisadores.

A grande atração do dia foi o Sirius, o acelerador de partículas brasileiro de quarta geração, considerado um dos mais avançados do planeta. Esse equipamento funciona como um raio X de altíssima potência, capaz de revelar a estrutura interna de diversos materiais em escala de átomos e moléculas. Essa tecnologia de ponta é crucial para pesquisas em saúde, biociências e nanotecnologia.

Para realizar as análises, os cientistas aceleram elétrons quase à velocidade da luz dentro de um túnel circular com 500 metros de comprimento. Essas partículas dão cerca de 600 mil voltas por segundo e, ao serem desviadas por ímãs potentes, geram a luz síncrotron. Embora invisível a olho nu, esse feixe de luz é extremamente brilhante e trinta vezes mais fino que um fio de cabelo humano.

Homenagem a pesquisador vítima de violência

Apesar do sucesso de público e do foco na divulgação científica, o sábado foi marcado por um clima de profunda tristeza no centro de pesquisa. Na noite anterior, sexta-feira (16), o pesquisador João Leandro Brito Neto, de 39 anos, faleceu após ser baleado enquanto pilotava sua motocicleta em Campinas.

João Leandro era especialista na Divisão de Engenharia de Linhas de Luz do Sirius, atuando no grupo de Controle e Integração. Muito querido pelos colegas, ele era um voluntário ativo e entusiasmado nas edições anteriores do “Ciência Aberta”.

Em nota oficial, o CNPEM expressou seu pesar e destacou o imenso desafio de realizar o evento em meio a essa perda inesperada. A instituição sugeriu que os trabalhos do dia fossem integralmente dedicados à memória do profissional. A programação, que contou com 85 atividades interativas, oficinas e palestras, seguiu até as 17h.

Fonte: G1.

Matéria original na Agência Brasil

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