Alerta de raiva no Rio: como proteger sua família e pets

Veterinário aplicando vacina em um cachorro de estimação de pequeno porte mantido no colo por seu tutor.

Recentemente, a confirmação de um caso de raiva em um cão no bairro de Santa Cruz, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, acendeu um sinal de alerta para toda a população fluminense, especialmente para quem convive de perto com animais de estimação. De acordo com as autoridades de saúde, o animal infectado teve histórico de contato direto com morcegos, e a variante do vírus que causou a infecção ainda passa por análises laboratoriais.

Diante da gravidade da situação, a Secretaria Municipal de Saúde agiu rapidamente: realizou uma varredura epidemiológica detalhada, identificou e monitorou de perto todas as pessoas que tiveram contato com o cachorro, aplicando o tratamento preventivo necessário. Infelizmente, devido ao avanço da enfermidade, o cão precisou ser sacrificado.

Para o público com mais de 50 anos, que muitas vezes lidera os cuidados com o lar, com os netos e com os pets da família, entender como se prevenir contra a raiva é fundamental. Embora a doença seja considerada controlada nas áreas urbanas, o vírus continua circulando ativamente na natureza, principalmente em ambientes silvestres.

O cenário da raiva no estado do Rio de Janeiro

Muitas pessoas acreditam que a raiva é uma ameaça do passado, mas os dados de vigilância mostram que o cuidado precisa ser diário. Entre os anos de 2021 e 2022, o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman — instituição que é referência no tratamento e diagnóstico da doença no Rio — confirmou dois casos em cães no estado: um no município de Maricá e outro em Duque de Caxias.

A dimensão do risco se reflete nos atendimentos médicos de emergência. Somente entre janeiro e julho deste ano, as unidades públicas de saúde do estado do Rio de Janeiro registraram mais de 28 mil atendimentos a pessoas que sofreram agressões por animais com potencial de transmissão da raiva. A grande maioria dos casos envolveu cães e gatos domésticos, mas também houve registros de acidentes envolvendo morcegos e micos.

Embora raros, óbitos humanos já aconteceram no estado nas últimas décadas. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) aponta duas mortes registradas: uma em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana, em 2006; e outra em Angra dos Reis, na Costa Verde, em 2020.

O que é a raiva e quais são os seus sintomas?

A raiva é uma infecção viral gravíssima causada por um vírus do gênero Lyssavirus. Ela compromete diretamente o sistema nervoso central e apresenta uma taxa de letalidade extremamente preocupante, muito próxima de 100%. A transmissão ocorre quando a saliva de um animal infectado entra em contato com o organismo humano ou de outro mamífero, o que acontece geralmente por meio de:

  • Mordidas;
  • Arranhões profundos ou superficiais;
  • Lambidas em pele previamente lesionada ou mucosas.

Uma das características mais perigosas da raiva é o seu período de incubação silencioso. Após o contágio, o vírus pode levar, em média, 45 dias para manifestar os primeiros sintomas no ser humano. Inicialmente, os sinais podem ser confundidos com outras enfermidades comuns, incluindo náuseas e dores de cabeça. No entanto, com a evolução do quadro, o paciente passa a apresentar febre alta, espasmos musculares involuntários e convulsões graves.

Guia de prevenção: Como proteger sua família e seus pets

Para evitar que a doença chegue ao seu lar, o presidente do CRMV-RJ, Diogo Alves, reforça que a prevenção ativa é o único caminho seguro. Confira as principais recomendações:

1. Mantenha a vacinação dos pets rigorosamente em dia

A vacina antirrábica aplicada em cães e gatos é a principal barreira de proteção coletiva contra o vírus. Certifique-se de aplicar a dose anualmente em seus animais de estimação, respeitando o calendário orientado pelo médico veterinário de sua confiança.

2. Evite o contato com animais desconhecidos

Oriente seus filhos, netos e familiares a não tocarem em cães ou gatos de rua, especialmente se eles parecerem doentes, machucados ou apresentarem qualquer alteração brusca de comportamento, como agressividade repentina ou isolamento.

3. Impeça o contato dos pets com animais silvestres

Não permita que seus cães ou gatos tenham acesso livre a áreas de mata sem supervisão e evite que eles entrem em contato com morcegos, micos ou outros animais da fauna silvestre que possam eventualmente invadir quintais, varandas ou telhados.

O que fazer ao encontrar um morcego em casa?

Os morcegos são animais protegidos por lei e importantes para o ecossistema, mas podem ser transmissores da raiva. Se você encontrar um desses animais dentro de casa ou caído no quintal, o CRMV-RJ orienta agir com extrema cautela:

  • Nunca toque no morcego diretamente: Jamais tente capturar, ferir, matar ou remover o animal com as próprias mãos, mesmo que ele pareça morto ou imóvel.
  • Isole o animal com segurança: Sem encostar nele, tente cobri-lo utilizando um balde emborcado, uma caixa de papelão resistente ou um pano limpo e seco para evitar que ele voe ou se desloque.
  • Acione o serviço público de saúde: Entre em contato imediatamente com o centro de controle de zoonoses, vigilância ambiental ou vigilância sanitária do seu município para solicitar o recolhimento seguro do animal.

Sofri um acidente com animal: Como agir imediatamente?

Caso você ou algum familiar seja mordido, arranhado ou lambido por um animal suspeito de portar o vírus, adote as seguintes medidas de emergência sem perder tempo:

  1. Lave o ferimento imediatamente: Utilize água corrente e sabão em abundância. Essa higienização rápida e vigorosa ajuda a reduzir drasticamente a carga viral na região lesionada.
  2. Procure atendimento médico urgente: Vá à unidade de saúde pública mais próxima o quanto antes para receber a avaliação médica e, se necessário, iniciar o protocolo de vacina ou soro antirrábico pós-exposição.
  3. Monitore o animal agressor: Se o acidente envolveu um cão ou gato doméstico conhecido, o animal deve ficar em observação isolada por 10 dias. Qualquer mudança em seu comportamento ou surgimento de doenças deve ser comunicada imediatamente ao serviço de saúde local.

Fonte: Agência Brasil.

Matéria original na Agência Brasil

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