Bancos coloridos combatem a solidão em praças pelo mundo

Dois idosos sentados conversando alegremente em um banco de madeira colorido em uma praça ensolarada.

A solidão é um problema de saúde pública que preocupa especialistas no mundo todo. Para combater o isolamento social, uma ideia simples nascida no Reino Unido está transformando praças e parques: os bancos de jardim coloridos que convidam as pessoas para conversar. Conhecida internacionalmente como “Feliz por conversar” (Happy to chat), a iniciativa incentiva a interação entre desconhecidos no espaço urbano.

O projeto começou em maio de 2019, na cidade de Cardiff, no País de Gales. A idealizadora, Allison Owen-Jones, teve a inspiração ao observar um idoso que passou cerca de 40 minutos sozinho em um parque local. Pensando em uma maneira delicada de aproximar as pessoas sem causar constrangimento, ela colou cartazes em um banco com a frase: “Sente-se aqui se você não se importa que alguém pare para lhe dar um alô”.

A ação ganhou força diante de um cenário preocupante. Em maio de 2023, Vivek Murthy, chefe do serviço de saúde pública dos Estados Unidos, emitiu um alerta global sobre a epidemia de solidão no país. Dados mostram que metade da população adulta americana já enfrentava algum nível de isolamento mesmo antes da crise sanitária da Covid-19, agravada pelo hábito de ignorar quem está ao redor para focar nas telas dos celulares.

Do bate-papo informal ao suporte emocional

A proposta ultrapassou fronteiras e hoje está presente em países como Canadá, Austrália, Suíça e Polônia — onde o banco é chamado de “gadulawka” e traz mensagens em três línguas. No entanto, foi no continente africano que a ideia ganhou um contorno ainda mais profundo. No Zimbabwe, no Malawi, no Quênia e em Zanzibar, os chamados “bancos da amizade” funcionam como pontos de atendimento terapêutico.

Nesses locais, agentes de saúde comunitários recebem capacitação em terapia cognitivo-comportamental focada na resolução de problemas práticos. O objetivo é ajudar os cidadãos a lidar com a ansiedade, a depressão e a combater a “kufungisisa”, termo local que significa “pensar demais”.

Embora essas conversas rápidas em locais públicos possam não gerar amizades profundas e duradouras, elas têm um papel crucial no bem-estar diário, diminuindo a sensação de invisibilidade social. Trata-se de uma alternativa simples e de baixo custo que bem que poderia ser adotada nas cidades brasileiras para acolher nossa população madura.

Fonte: G1.

Matéria original na Agência Brasil

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