A jornalista e cientista política Lucia Hippolito faleceu aos 72 anos, deixando um legado de lucidez, coragem e planejamento diante da terminalidade da vida. Conhecida por sua brilhante trajetória na rádio CBN, Lucia enfrentava graves problemas de saúde há mais de uma década, mas manteve a serenidade ao receber o diagnóstico de que seu câncer havia se espalhado.
A jornada de superação da profissional começou em 2012, em Paris, quando foi acometida por uma forma severa da Síndrome de Guillain-Barré. A doença autoimune comprometeu seus movimentos, exigindo 48 dias de intubação e três meses de internação na França. Lucia retornou ao Brasil em uma cadeira de rodas, mas continuou ativa. Em setembro de 2022, ela enfrentou outro desafio: um tumor de colo de útero de quatro centímetros, que exigiu a retirada do útero e dos ovários.
A decisão de evitar o sofrimento e as diretivas de vontade
Em maio de 2023, dores intensas na coluna e no abdômen levaram a exames de imagem que confirmaram a metástase do câncer para os pulmões, abdômen e coluna. O prognóstico médico estimava uma sobrevida de três a seis meses. Diante do cenário irreversível, Lucia optou por priorizar seu conforto e recusou tratamentos invasivos que pudessem lhe causar sofrimento físico desnecessário.
Para garantir que suas decisões fossem respeitadas, a jornalista elaborou um documento de diretivas antecipadas de vontade. Esse registro legal assegura que os desejos do paciente sobre procedimentos médicos sejam cumpridos quando ele não puder mais responder por si. Lucia também deixou expressa a vontade de ter suas cinzas jogadas na Place des Vosges, em Paris, cidade que amava. A tarefa caberá à sua irmã, Regina.
Casada há 51 anos com Edgar Flexa Ribeiro, Lucia declarou, em seus últimos dias, ter tido uma vida plena e feliz. Lamentou apenas não ter conhecido o Egito e o Museu Hermitage, na Rússia. Até o fim, demonstrou paz, brindando à vida com espumante e mantendo-se informada sobre o cenário político do país.
Fonte: G1.