Sobreviventes de câncer infantil têm maior risco psicológico

Vencer o câncer na infância ou na adolescência é uma grande vitória, mas a batalha desses jovens muitas vezes continua na mente. Uma pesquisa recente publicada na revista científica “JAMA Pediatrics” acende um alerta importante para pais e avós: pessoas que superaram tumores na juventude apresentam uma probabilidade significativamente maior de desenvolver transtornos psicológicos ao longo da vida.

O estudo analisou dados de 20 mil participantes em 52 ensaios clínicos. Os resultados mostram que, em comparação com seus irmãos e pessoas saudáveis, os sobreviventes têm um risco 57% maior de sofrer de depressão. Além disso, a probabilidade de apresentar ansiedade é 29% mais alta, e a de enfrentar quadros psicóticos sobe 56%. Esses problemas de saúde mental costumam se manifestar com mais intensidade após os 25 e 30 anos.

O peso invisível das limitações físicas

O sofrimento emocional não está ligado apenas ao medo de a doença voltar. Segundo a psicóloga Jeanelle Folbrecht, diretora de um programa voltado para adolescentes no centro médico City of Hope, em Los Angeles, esses pacientes carregam uma profunda sensação de luto.

Não se trata da tristeza pela morte, mas sim da dor por aquilo que deixaram de viver. Muitos sofrem com as sequelas físicas que os impedem de praticar esportes, participar de brincadeiras comuns da juventude ou até mesmo seguir a carreira profissional que desejavam.

A realidade do câncer infantojuvenil no Brasil

Graças à evolução da medicina, as taxas de cura aumentaram muito desde os anos 1970, quando apenas 58% dos pacientes sobreviviam nos países desenvolvidos. Hoje, nessas nações ricas, o índice de sobrevivência ultrapassa os 80%. No Brasil, a média de cura atualmente é de 65%, variando conforme a região do país.

Apesar dos avanços, o câncer infantojuvenil ainda é a principal causa de falecimento por doença entre crianças e adolescentes brasileiros, ficando atrás apenas dos acidentes em geral. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 7.930 novos casos anuais na faixa de zero a 19 anos no triênio de 2023 a 2025.

Globalmente, cerca de 300 mil jovens recebem esse diagnóstico todos os anos, sendo a leucemia, os linfomas e os tumores no sistema nervoso central os tipos mais recorrentes.

Fonte: G1.

Matéria original na Agência Brasil

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