Viagens para Marte: como cientistas testam saúde no espaço?

A preparação para levar o ser humano a Marte e à Lua já começou, e os testes mais importantes estão acontecendo bem aqui, na Terra. Para garantir a saúde física e mental dos futuros viajantes espaciais, cientistas se submetem a simulações extremas de isolamento, ajudando a desvendar como o corpo e a mente reagem longe de casa.

No final de junho de 2023, quatro cientistas iniciaram um desafio marcante: viver por um ano totalmente isolados em uma casa de 157 metros quadrados em Houston, nos Estados Unidos. O espaço, chamado de Mars Dune Alpha, foi construído por uma impressora 3D usando um composto que simula a lava vulcânica. Durante esse período, os voluntários terão a saúde monitorada constantemente para avaliar os limites da sobrevivência humana em condições semelhantes às de Marte.

O impacto do isolamento na saúde e na convivência

Esses testes na Terra, chamados de missões análogas, são fundamentais para entender a rotina no espaço. A geóloga Sian Proctor, que integrou a primeira tripulação civil a orbitar a Terra pela SpaceX em 2021, já passou por quatro dessas simulações.

Em 2013, Proctor participou de um experimento no Havaí, onde seis pessoas ficaram confinadas por quatro meses. O local foi escolhido porque o solo vulcânico da região se assemelha ao de Marte. Para saírem do alojamento, os participantes precisavam usar trajes espaciais pesados. Além disso, enfrentaram a falta de privacidade e o desafio de gerenciar conflitos em um espaço bastante reduzido.

Benefícios que chegam até a nossa mesa

Mais do que viabilizar o turismo espacial, essas pesquisas trazem ensinamentos práticos para o nosso cotidiano. Nas simulações, o desperdício é zero. A alimentação, por exemplo, é baseada em ingredientes desidratados para reduzir o peso das cargas e baratear as viagens.

Segundo Proctor, aprender a economizar água, energia e comida em ambientes confinados gera soluções tecnológicas que podem ser aplicadas para melhorar a sustentabilidade e a eficiência energética no nosso planeta. Afinal, cuidar da saúde e dos recursos no espaço é aprender a viver melhor na Terra.

Fonte: G1.

Matéria original na Agência Brasil

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